Não era novidade para a banda. Todos já sabiam há uns dois meses, quando foram informados pela gravadora de que estariam na próxima edição do Lollapalooza Brasil. Apesar disso, os membros da Plutão já foi Planeta garantem que ficaram surpresos ao ver o nome deles no cartaz do mega festival, dividindo espaço com Pearl JamRed Hot Chili Peppers e The Killers“No dia que saiu o anúncio com o line-up completo parecia que a gente nem sabia. Recebemos a notícia pela segunda vez, mas continuou sendo uma surpresa boa”, explica o guitarrista Sapulha Campos, indicando ainda que, por motivos óbvios, a banda precisou guardar segredo até a divulgação oficial, no último dia 27 de setembro.

Talvez a participação de Plutão deva ser encarada com mais naturalidade do que imaginamos a princípio — principalmente após o lançamento de seu bem-recebido novo disco, “A Última Palavra Feche a Porta”. No entanto, essa é apenas a segunda vez em quatro edições que o Rio Grande do Norte será representado no evento. Desde que Far From Alaska se apresentou em 2015, não vemos artistas potiguares nos palcos do Lolla.

Por isso, os músicos se dividem quando o assunto é a expectativa criada em torno dessa confirmação. Há quem prefira encarar a ansiedade apenas às vésperas do show, mas também tem quem não vê a hora de tocar no mesmo festival por onde passarão bandas e artistas que inspiraram a Plutão já foi Planeta. A data exata da apresentação ainda não foi revelada, mas o Lollapalooza 2018 acontecerá entre os dias 23 e 25 de março do ano que vem.

Foi nos bastidores de outro festival, o MADA, que a Revista Esquina conversou com a banda sobre esse e outros assuntos. A entrevista completa, você confere abaixo:

Revista Esquina: E essa confirmação no Lollapalooza, hein? Foi surpresa pra vocês também?

Natália Noronha: A gente soube um pouco antes, mas não podia divulgar. Só quando o anúncio oficial saísse. Mas, mesmo assim, rola um friozinho na barriga. A gente sempre viu o Lolla muito distante, como um festival que a gente só ia pra assistir e agora vamos tocar e estamos muito felizes. É experiência de festival, que é sempre muito legal. Essa experiência de troca com outros artistas e um público que muitas vezes não conhece a gente.

Esquina: Mas quando vocês souberam mesmo que iam tocar?

Gustavo Arruda: Há uns dois meses, mais ou menos, o Lolla entrou em contato com a gravadora Som Livre/ SLAP e eles informaram a gente.

Sapulha Campos: A gente já sabia, mas no dia que saiu o anúncio com o line-up completo parecia que a gente nem sabia. Recebemos a notícia pela segunda vez, mas continuou sendo uma surpresa boa.

Esquina: Imagino que deve bater uma expectativa quando vocês olham para aquele line-up e sabem que vão tocar ali, com todas aquelas bandas…

Sapulha: Eu tenho impressão que a ficha da gente só vai cair quando chegar mais perto. Talvez quando chegar lá! Se for pra ficar nervoso a partir de agora é capaz de eu ter um troço e morrer do coração.

Gustavo: Eu já fiquei nervoso desde o primeiro dia, quando eu soube pelo Popload que quem abre o Lolla é Red Hot [Chili Peppers]. Se eu toco hoje é porque existe Red Hot na minha vida. Então, bicho, foi emocionante saber que eles vão tocar. Foi emocionante, essa palavra define tudo!

Esquina: Já imaginou se vocês tocam no mesmo dia?

Gustavo: Grandes chances, né? É um sonho de adolescente e, pô, está prestes a rolar. Que doido!

Foto: Mylena Sousa

Esquina: Sobre o disco novo, vocês fizeram apenas um show em Natal depois do lançamento*, como foi a receptividade do público daqui?

*O show no MADA foi o segundo com as músicas do novo álbum em Natal.

Natália: A gente já vem tocando esse disco desde o lançamento, em março, e só agora tocamos em Natal. O público recebeu muito bem, cantando todas as músicas, mas é sempre uma experiência nova. A gente não sabe direito como a galera vai reagir ao show novo. É novo pra eles e novo pra gente também.

Gustavo: Até porque o primeiro show que a gente fez, como foi no teatro e foi um show só da Plutão, tava só o nosso público, o pessoal que queria ver a gente e tal. Hoje é um festival, tem outro público envolvido, de outras bandas. Isso é bom demais, pois vamos mostrar essas músicas para outras pessoas que nunca as escutaram. Tocar em festival é isso, é mostrar sua música para outros públicos.

Esquina: A gente consegue observar uma representatividade feminina cada vez mais forte em festivais como o MADA deste ano, o que vocês acham desse momento?

Natália: Neste MADA e acho que os festivais em geral. A gente tocou, alguns meses atrás, no Circadélia em Sorocaba e o festival chamou atenção justamente pelo line-up muito cheio de mulheres. Inclusive mulheres na parte dos bastidores, fazendo som, fazendo luz. E é muito legal isso. Acho que as coisas estão mudando mesmo e, se existe uma ausência de mulheres nesse mercado, é porque existe uma falta de incentivo. Então a gente tem que cada vez mais incentivar as nossas meninas a tocarem instrumentos, a cantarem, a fazerem som, fazerem luz. Eu acho que os homens são mais incentivados a fazer isso na infância, aí acaba que a gente tem essa consequência no futuro: ter menos mulheres no mercado. Mas agora são tempos diferentes, estamos vendo mais mulheres no mercado — sempre teve, mas agora com mais intensidade.

Gustavo: Isso que Natália falou agora é uma coisa que a gente realmente vê muito. Por exemplo, lá em casa somos eu e minha irmã e quem ganhou o primeiro instrumento? Acho que a gente tá em um momento de mudança, acho que a gente também faz parte disso, de viver com elas e ver que elas realmente estão mudando a cena. Muita gente tinha medo de entrar na música porque era mulher e elas, apesar de todos os problemas de machismo, não estão mais se afetando por isso.

Natália: Uma coisa puxa a outra. Como os festivais agora estão mais cheio de mulheres, tem meninas assistindo os festivais e então elas ficam mais inspiradas. Eu, por exemplo, quando comecei a frequentar a Ribeira, aqui em Natal, e o Festival Dosol, fui inspirada pelas bandas com mulheres que eu assistia. Camarones, com Ana Morena e Kaká Monteiro; Talma&Gadelha, com Simona… Então, quanto mais mulheres no palco, mais mulheres no público inspiradas.

Jornalista e cronista. Escrevo ficção com a realidade. Qualquer semelhança é mera coincidência (ou não).